Este post é mais uma análise de como o esporte evoluiu nos últimos 20 anos do que sobre algum equipamento em específico. Isso porque queria compartilhar com vocês a diferença que um simples lançamento acabou alterando a forma como o esporte profissional é jogado hoje em dia.
Muitos reclamam( e outros tantos amam ) do fato de que hoje não existem mais jogadores como Pete Sampras, Greg Rusedski, Patrick Rafter, Boris Becker e etc – os famosos sacadores e voleadores. Hoje em dia o jogo é baseado em 90% no fundo da quadra, com idas esporádicas à rede apenas para matar o ponto. E porque isso aconteceu?
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| Murray: o exemplo de jogador de fundo de quadra |
Um dos fatores que mais contribuiu para isso, se não o que mais contribuiu, foi o lançamento das cordas de poliéster nos meados dos anos 90. As cordas de poliéster( que são o principal produto de quase todas as marcas existentes ) permitiram ao jogador bater com mais força na bola e ainda assim ela não sai da quadra. Isso se deve ao fato de que elas são capazes de produzir mais efeito na bola( principalmente o top spin ), e por isso o jogador tem uma margem maior de erro jogando do fundo de quadra, podendo bater forte e, mesmo que o outro jogador tenha um saque poderoso, pode fazer estragos com a devolução. Com isso – bolas mais fortes voltando do outro lado da rede – o jogador de hoje tem menos tempo para chegar à rede e mesmo quando chega, ainda corre um risco muito grande de levar a passada pois o adversário pode encontrar uma forma de bater uma bola vencedora do fundo de quadra. Antigamente, quando ainda não havia a corda de poliéster, era vantajoso buscar a rede pois uma bola forte do fundo de quadra não conseguia muito efeito, e por isso ia mais “reta”. Com isso a margem de erro era muito pequena. Então subir à rede para volear a bola de baixo para cima, ou mesmo forçar o outro jogador ao erro por ele não ter muitas possibilidades de conseguir um winner,
Então o fato não é que as crianças e jovens não treinam mais para ser sacadores e voleadores. O que acontece é que não vale mais a pena jogar dessa forma, pois esse tipo de jogador ficou mais frágil com as novas tecnologias introduzidas no mercado. E aí entramos em um círculo vicioso: o jogador profissional sacador e voleador não faz mais sucesso, então a criançada e os juvenis não tem ninguém em quem se espelhar. Logo, não jogam mais dessa maneira, e aí os próprios professores e treinadores não incentivam mais essa técnica.

É lógico que outros fatores também influenciam, como a própria ATP querendo "otimizar" o jogo, deixando-o mais lento( bolas mais murchas, quadras com piso mais lento ), para favorecer a troca de bola - vocês podem não lembrar, mas a final de Wimbledon entre Pete Sampras e Goran Ivanisevic foi chamada de o jogo mais chato da história, tamanha a quantidade de pontos que foi decidida no saque ou na segunda bola, geralmente um voleio( e foi aí que a ATP viu que precisava fazer algo ) - e também a própria evolução física do esporte e dos jogadores em si.
Bom, mas o intuito do post não é criticar a falta de jogadores que dominem essa técnica, mas sim falar como uma simples mudança no equipamento pode afetar o esporte inteiro de uma maneira única. Alguém pode dizer que as raquetes também evoluíram nos últimos 20 anos, mas essencialmente elas continuam compostas de grafite( um derivado do carbono altamente resistente a impacto e deformação ). Todas as tecnologias que as marcas introduzem nos modelos são basicamente uma pequena parte da composição das raquetes, e portanto a última grande mudança que tivemos nesse campo foi a mudança da madeira para o grafite.
Mas então poliéster é bom para qualquer um e vai melhorar o jogo de todo mundo? A resposta é não. E você vai descobrir porque no próximo post.
Um abraço, e bom bate bola!

Curiosidade: Quem começou a usar poliéster no circuito profissional foi nosso grande Gustavo Kuerten, utilizando a Luxilon, marca que continua hoje como preferida entre os profissionais. Todos ficaram impressionados com a quantidade de top spin que nosso grande ídolo conseguia imprimir na bola, e a febre começou aí. Tanto é que muitos comentaristas começaram a utilizar a expressão Lux-shot, para descrever um tipo de bola que não era possível antes do lançamento das cordas de poliéster. O logo pintado abaixo do da Head no encordoamento( um L estilizado ) indica o patrocínio da marca Luxilon.